Traduzindo brechas: a palavra como ferramenta de trabalho e vida
Traduzir não é só passar uma palavra de um idioma para o outro. É atravessar um rio com as roupas de outra pessoa, é costurar sentidos, é escolher qual termo vai abraçar a complexidade de um conceito sem deixar a beleza do texto escapar.
Eu trago a tradução para o meu território porque acredito que a língua é viva e a psicologia precisa ser lida em português com o cuidado que a nossa gente merece. Muitas vezes, o trabalho de quem traduz é apagado, tratado como uma ponte invisível que não tem autoria. Aqui, não. Aqui a tradução é parte fundamental do fazer científico e clínico.
Este espaço nasce para publicizar as traduções que venho fazendo (e as que ainda vou fazer), principalmente no campo da Psicologia Soviética e da Psicologia Histórico-Cultural. Textos densos, que discutem ética, responsabilidade, a formação do psiquismo e a força do coletivo — temas que, na minha prática clínica e na militância em saúde pública, não são abstrações, mas ferramentas para entender o mundo e as pessoas.
Diferente de outros espaços que só jogam o PDF na tela, aqui a gente rebusca. A ideia é oferecer a tradução e um caminho para a leitura, conectando essas teorias de base soviética com o nosso cotidiano clínico, com os dilemas do SUS, com as relações de trabalho e com as nossas dores e potências.
E é importante dizer: isso não é um trabalho de uma mão só. A ciência e a tradução nunca são feitas no isolamento. Esse espaço é uma costura coletiva, feito a mais de duas mãos. Eu ponho a voz e o suor da tradução, e tem gente parceira do meu lado cuidando da tessitura, organizando as ideias, trançando os caminhos para que a leitura faça sentido e chegue até você. É um trabalho conjunto, feito no afeto e na militância, porque a gente sabe que nenhuma autonomia se constrói sozinha.
Conforme as traduções forem ganhando vida por aqui, elas vão aparecer logo abaixo para você explorar e fazer delas o que bem entender já que a palavra nunca é só um bloco de letras: a gente se apropria dela, dá o nosso tom, transforma em sentido pessoal e é justamente nessa misturada toda que a gente ressignifica o mundo.
A casa é minha, mas o chá é de todo mundo. Pega a xícara, lê, e depois se quiser me conta o que achou.